sexta-feira, 30 de maio de 2014

Que ironia

Você andava por aí com várias amigas, em festas e com vários caras pra beijar. Queria se divertir, esquecer quem te fez sofrer, chamar atenção. Sentia-se vazia por dentro, mas rodeada de pessoas lindas e influentes e era isso que importava pra você, pelo menos temporariamente, enquanto a festa não acabasse. Fugia de qualquer lembrança do passado, mas de tanto fugir, perdeu-se num presente sem perspectiva.
E eu, eu lia livros, estudava, usava jeans surrados e não frequentava festas. Mas até aí nossos caminhos não tinham sido cruzados.
Até fevereiro daquele ano.
Começamos a faculdade juntos. Eu olhava pra você e pra quem te cercava e só conseguia observar falsidade. E você começou a reparar em mim, no cara com poucos amigos mas que te deixava desconcertada, que te fazia lembrar do que você era e do que um dia já quis.
Todos os bonitões da faculdade queriam você, mas você dispensava todos, tinha cansado de atender vontades momentâneas e se arrepender depois. E eu fui o elo do que você era naquela época e que um dia você já foi e voltou a ser.
A maior ironia é que não existe a diferença entre o bonito ou feio pro coração. Existe o que é agradável. E eu era o que te agradava, te fazia respirar profundamente tentando acalmar o coração, te fazia querer me seguir pra todos os lugares, parar de ir em festas e perceber que amigos de verdade são muito poucos.
Eu via ganância em seu coração, mas hoje percebo que o que seu coração tinha era uma vontade louca de se sentir inclusa. Mas agora você está totalmente inclusa no meu mundo, nos meus segredos e no meu amor.

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