domingo, 17 de maio de 2015
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Inocência
A inocência é maravilhosamente hipnótica. A inocência ainda maior, exatamente a que está prestes a sair da pequena cidade com quatro blusas e duas calças na bolsa em busca não sei de quê. Sabe-se apenas o que já não quer mais, que é a sensação de perdição no espaço e tempo. Feito para desiludir é aquilo que pulsa no coração da garota que chora ao despedir-se da mãe. Essa inocência é maravilhosamente hipnótica. Algo que se compartilha, mais parece ser o reflexo trincado do passado que é motivo de orgulho.
domingo, 3 de maio de 2015
Rumo
Precisa-se reservar uma hora do dia realmente dedicada a pensar, desejar saber o motivo desse querer. Se esse momento não existir, o dia fica inteiro bagunçado com vislumbres repartidos em sonhos de um acordado. Então uma hora inteira pra se afogar, pra deleite em pistas reforçadas por pensamentos iludidos. Não sei o que vi aqui, não sei o que vi aqui. Quero sair daqui, quero sair daqui. São esses os pensamentos. Daí vem lembrar a família preocupada com a liberdade que o próprio se deu, daí vem o medo de estar perdendo tempo. Se conclui de que não há lucro, nem sorrisos.
Durante o resto do dia há o automático e as reações programadas.
Um rapaz está sentado no chão de um corredor cheio de portas, à sua frente está a travessia com o nome da paixão, atrás dele um buraco negro, sem porta para o anunciar. Finalmente escolheu: só jogou o corpo para trás e se deixou cair.
Durante o resto do dia há o automático e as reações programadas.
Um rapaz está sentado no chão de um corredor cheio de portas, à sua frente está a travessia com o nome da paixão, atrás dele um buraco negro, sem porta para o anunciar. Finalmente escolheu: só jogou o corpo para trás e se deixou cair.
sexta-feira, 1 de maio de 2015
As escolhas
Posso mudar pra
outra cidade, estado ou país. Trocar de namorada algumas vezes,
me desfazer do livro que sempre adorei e agora resolvi passá-lo adiante como
demonstração de luta pelo direito da agradável leitura de todos. Fazer mudanças diárias,
como mudar o café com pão de toda manhã por cereais e ir de bicicleta pra
faculdade. O que acha de sorrir pra um estranho? Talvez seja errado confiar seu sorriso a pessoas das quais não se conhece a
índole, mas prefiro correr o risco e talvez o ato de simpatia mude pra melhor o
dia de alguém cheio de problemas. E se chover? Não abrir o guarda-chuva e sim
deixar molhar correndo e gritando alto que o amor precisa de mais força para
que consiga fazer diferença com ele. Abro mão de amizades de sabores amargos e desse celular que faz ficar mais
difícil aproveitar o show dos Paralamas do Sucesso se eu tiver de filmar
tudo pra depois postar nas redes sociais. Desse amor fraco não quero mais saber e vou
deixar a hora certa aparecer e junto dela um amor sincero.
Sinceramente nunca abrirei nem a mão nem nenhum outro órgão sequer
da minha família, meu cachorro e minha cama. Não posso deixar partir
aquele
amigo que mais parece irmão. A pizza no sábado a noite e o almoço na
casa da
minha avó no domingo. A saudade, por
mais que seja difícil de suportar, quero que ela permaneça, pois é assim
que
confirmo a sobrevivência do passado que é motivo de orgulho. A memória
daquele primeiro beijo
de verdade, sem o nervosismo e só prazer, não quero deixar evaporar. É
difícil abandonar certas coisas, por mais que se queira deixá-las irem
embora, como a dor da morte de uma pessoa querida.
Essa rotina pesada, mesmo arrancando minhas forças, usarei como
transporte para conseguir realizar aquele sonho e, sinceramente, esse desejo é o que faz escolher o que continua comigo.
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