segunda-feira, 4 de maio de 2015

Inocência

A inocência é maravilhosamente hipnótica. A inocência ainda maior, exatamente a que está prestes a sair da pequena cidade com quatro blusas e duas calças na bolsa em busca não sei de quê. Sabe-se apenas o que já não quer mais, que é a sensação de perdição no espaço e tempo. Feito para desiludir é aquilo que pulsa no coração da garota que chora ao despedir-se da mãe. Essa inocência é maravilhosamente hipnótica.  Algo que se compartilha, mais parece ser o reflexo trincado do passado que é motivo de orgulho.

domingo, 3 de maio de 2015

Rumo

Precisa-se reservar uma hora do dia realmente dedicada a pensar, desejar saber o motivo desse querer. Se esse momento não existir, o dia fica inteiro bagunçado com vislumbres repartidos em sonhos de um acordado. Então uma hora inteira pra se afogar, pra deleite em pistas reforçadas por pensamentos iludidos. Não sei o que vi aqui, não sei o que vi aqui. Quero sair daqui, quero sair daqui. São esses os pensamentos. Daí vem lembrar a família preocupada com a liberdade que  o próprio se deu, daí vem o medo de estar perdendo tempo. Se conclui de que não há lucro, nem sorrisos.
Durante o resto do dia há o automático e as reações programadas.
Um rapaz está sentado no chão de um corredor cheio de portas, à sua frente está a travessia com o nome da paixão, atrás dele um buraco negro, sem porta para o anunciar. Finalmente escolheu: só jogou o corpo para trás e se deixou cair.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

As escolhas

  Posso mudar pra outra cidade, estado ou país. Trocar de namorada algumas vezes, me desfazer do livro que sempre adorei e agora resolvi passá-lo adiante como demonstração de luta pelo direito da agradável leitura de todos. Fazer mudanças diárias, como mudar o café com pão de toda manhã por cereais e ir de bicicleta pra faculdade. O que acha de sorrir pra um estranho? Talvez seja errado confiar seu sorriso a pessoas das quais não se conhece a índole, mas prefiro correr o risco e talvez o ato de simpatia mude pra melhor o dia de alguém cheio de problemas. E se chover? Não abrir o guarda-chuva e sim deixar molhar correndo e gritando alto que o amor precisa de mais força para que consiga fazer diferença com ele.  Abro mão de amizades de sabores amargos e desse celular que faz ficar mais difícil aproveitar o show dos Paralamas do Sucesso se eu tiver de filmar tudo pra depois postar nas redes sociais. Desse amor fraco não quero mais saber e vou deixar a hora certa aparecer e junto dela um amor sincero.
       Sinceramente nunca abrirei nem a mão nem nenhum outro órgão sequer da minha família, meu cachorro e minha cama. Não posso deixar partir aquele amigo que mais parece irmão. A pizza no sábado a noite e o almoço na casa da minha avó no domingo.  A saudade, por mais que seja difícil de suportar, quero que ela permaneça, pois é assim que confirmo a sobrevivência do passado que é motivo de orgulho. A memória daquele primeiro beijo de verdade, sem o nervosismo e só prazer, não quero deixar evaporar.  É difícil abandonar certas coisas, por mais que se queira deixá-las irem embora, como a dor da morte de uma pessoa querida.
      Essa rotina pesada, mesmo arrancando minhas forças, usarei como transporte para conseguir realizar aquele sonho e, sinceramente, esse desejo é o que faz escolher o que continua comigo.

Quem eu amo