Precisa-se reservar uma hora do dia realmente dedicada a pensar, desejar saber o motivo desse querer. Se esse momento não existir, o dia fica inteiro bagunçado com vislumbres repartidos em sonhos de um acordado. Então uma hora inteira pra se afogar, pra deleite em pistas reforçadas por pensamentos iludidos. Não sei o que vi aqui, não sei o que vi aqui. Quero sair daqui, quero sair daqui. São esses os pensamentos. Daí vem lembrar a família preocupada com a liberdade que o próprio se deu, daí vem o medo de estar perdendo tempo. Se conclui de que não há lucro, nem sorrisos.
Durante o resto do dia há o automático e as reações programadas.
Um rapaz está sentado no chão de um corredor cheio de portas, à sua frente está a travessia com o nome da paixão, atrás dele um buraco negro, sem porta para o anunciar. Finalmente escolheu: só jogou o corpo para trás e se deixou cair.