sábado, 11 de outubro de 2014

Primeira Crônica

Carlos Bruno sempre pega o ônibus de volta para casa nas quartas-feiras ao meio-dia, no qual sempre se ver obrigado a ir em pé e sem contar com nenhum entrerenimento, ou seja, as horas resolvem demorar a passar um pouco mais do que de costume.
Mas nessa quarta-feira havia entretenimento de primeira linha, que ele nem sequer sonhava em saber que seria espectador e que assistiria de camarote.
Carlos Bruno não percebeu de logo o espetáculo, foi aos poucos se dando conta: havia uma garota em pé perto das portas centrais do ônibus (Carlos estava um pouco mais atrás, perto do cobrador de passagens) que não chamou muita atenção de início, mas aos poucos vai se tornando mais magnética, até atrair totalmente a atenção.
Era o cabelo castanho claro na altura dos ombros; o short jeans claro acima dos joelhos; o all star sem meias; os dois anéis nos dedos indicador e anelar, sem esmalte nas unhas; a bolsa pendurada apenas em um ombro; o jeito como balançava a cabeça enquanto escutava música pelo fone de ouvido. Tudo isso arrebatou Bruno de forma inteira e ele não tirou mais os olhos da principal atriz do espetáculo.
O climax aconteceu quando a garota amarrou os cabelos no alto da cabeça e deixou livre para o mundo a visão de sua nuca cheia de pequenos fios de cabelos rebeldes. Naquela cena, toda a bancada de jurados de qualquer prêmio para atores e atrizes cairiam aos pés da protagonista desse espetáculo.
Carlos Bruno se decidiu como corajoso e prometeu a si mesmo que se a garota descesse na sua mesma rua, perguntaria seu nome e pediria seu telefone. E para sorte de Bruno, a garota desceu na mesma parada e seguiu a mesma direção que ele. Ele foi logo atrás, olhando-a de forma desenvergonhada e tentando capturar cada detalhe. Era hora de agir, de chamar a atenção dela. Mas o que aconteceu com esse coração que batia forte no peito? Está descontrolado, nervoso e medroso. Ele a seguiu tentando encontrar coragem, e a seguiu e a seguiu.
Até que a garota chamou um táxi e entrou no carro rapidamente, sem que ao menos quem a seguia desse conta do que acontecia. Ele parou e viu o carro se distanciando na avenida, percebendo o quão incompetente em sua missão.
Carlos Bruno prometeu a si mesmo que se a visse de novo diria tudo o que sentiu e como ela é incomum e iluminada.
Carlos Bruno repetiu todas quartas-feiras o mesmo trajeto nos mesmos horário.
Carlos Bruno nunca mais viu a garota dos cabelos na altura dos ombros.

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