sábado, 13 de setembro de 2014

As escolhas



       Posso mudar pra outra cidade, estado ou país. Trocar de namorada algumas vezes, me desfazer do livro que sempre adorei e agora resolvi passá-lo adiante como demonstração de luta pelo direito da agradável leitura de todos. Fazer mudanças diárias, como mudar o café com pão de toda manhã por cereais e ir de bicicleta pra faculdade. O que acha de sorrir pra um estranho? Talvez seja errado confiar seu sorriso a pessoas das quais não se conhece a índole, mas prefiro correr o risco e talvez o ato de simpatia mude pra melhor o dia de alguém cheio de problemas. E se chover? Não abrir o guarda-chuva e sim deixar molhar correndo e gritando alto que o amor precisa de mais força para que consiga fazer diferença com ele.  Abro mão de amizades de sabores amargos e desse celular que faz ficar mais difícil aproveitar o show dos Paralamas do Sucesso se eu tiver de filmar tudo pra depois postar nas redes sociais. Desse amor fraco não quero mais saber e vou deixar a hora certa aparecer e junto dela um amor sincero.
       Sinceramente nunca abrirei nem a mão nem nenhum outro órgão sequer da minha família, meu cachorro e minha cama. Não posso deixar partir aquele amigo que mais parece irmão. A pizza no sábado a noite e o almoço na casa da minha avó no domingo.  A saudade, por mais que seja difícil de suportar, quero que ela permaneça, pois é assim que confirmo a sobrevivência do passado que é motivo de orgulho. A memória daquele primeiro beijo de verdade, sem o nervosismo e só prazer, não quero deixar evaporar.  É difícil abandonar certas coisas, por mais que se queira deixá-las irem embora, como a dor da morte de uma pessoa querida.
      Essa rotina pesada, mesmo arrancando minhas forças, usarei como transporte para conseguir realizar aquele sonho e, sinceramente, esse desejo é o que faz escolher o que continua comigo.

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